quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Perguntas e respostas tipo - Frei Luís de Sousa

Respostas-tipo
1.     Considera a segunda cena do I ato da obra Frei Luís de Sousa.
1.1.   Integra este excerto da obra na estrutura interna e externa.
Este excerto insere-se na cena II do acto I de Frei Luís de Sousa. D. Madalena estava a ler Os Lusíadas e a refletir sobre os amores fatídicos de D. Inês e D. Pedro, quando surge Telmo, que troca impressões com ela sobre a sua leitura e sobre Maria. Este último refere que Maria merecia ter nascido em melhor condição social e, aí, D. Madalena decide falar, pela primeira e última vez, do seu passado, expondo a Telmo a sua vida com D. João e todas as iniciativas que teve para o encontrar após a Batalha de Alcácer Quibir. Posteriormente D. Madalena pede a Telmo para não alimentar a crença sebástica em Maria, ao que ele acede, pois apercebe-se do mal que isso lhe pode causar. Seguidamente, pede a Telmo que vá ver o que Maria está a fazer e que tente saber com Frei Jorge o motivo da demora de Manuel de Sousa Coutinho, que começa a afligi-la. Posteriormente, Maria entra em cena solicitando que Telmo lhe conte a história de D. Sebastião, tal como lhe prometera.

Sebastianismo - Frei Luís de Sousa

O Sebastianismo

            D. Sebastião nasceu a 20 de Janeiro de 1554 e morreu a 4 de Agosto de 1578.
D. Sebastião considerava a cruzada sebástica no Norte de África (a qual lhe ficou a dever a vida) uma missão peregrina de reconquistar a terra dos infiéis, em nome de Deus, uma vez que se julgava predestinado por Deus para a redenção dos infiéis. Assim, a cruzada sebástica assumiria o valor de uma obra divina, isto é, seria levada a cabo em nome de Deus e, simultaneamente, tornaria divinos os próprios portugueses.

Indícios Trágicos - Frei Luís de Sousa

Indícios Trágicos

 

 è Leitura que D. Madalena realiza do episódio de Inês de Castro (Os Lusíadas), que motiva a sua reflexão (acto I), o que alia o seu destino ao final trágico da figura histórica.

è Os pressentimentos de D. Madalena de que um acontecimento funesto atingirá a sua família, o que não a deixa viver o seu amor por Manuel de Sousa Coutinho de uma forma tranquila, motivando a sua insegurança, a sua angústia e impedindo a sua felicidade.

è Os agouros de Telmo, que não crê na morte de D. João de Portugal, colocando a hipótese do seu regresso, e que afirma que uma situação ocorrerá que deixaria claro quem nutria maior amor por Maria naquela casa.

O Tempo - Frei Luís de Sousa

O Tempo
Num texto dramático, o tempo em que decorre a ação é relativa­mente curto, na medida em que, na representação, muito tempo trans­forma-se em pouco tempo, dada a sua tendência para a concentração. O tempo de representação corresponde à duração da apresentação da peça em palco e é variável (entre uma a três horas).

Tempo da Diegese /ação
  •  Consiste no tempo durante o qual a acção se desenrola, segundo uma ordenação cronológica, e em que surgem marcas objectivas da passagem das horas, dias, meses, anos, etc.

Em Frei Luís de Sousa

Espaço - Frei Luís de Sousa

O Espaço
O espaço não se resume apenas ao lugar onde o(s) evento(s) se realiza(m), mas possui também uma dimensão social e psicológica importante para a interpretação textual.

Personagens - Frei Luís de Sousa

Personagens

D. Madalena de Vilhena

                  Logo na primeira cena D. Madalena é colocada na esfera dos amores míticos funestos, em que os amantes se tornam vítimas do sentimento que nutrem. É dominada por pressentimentos, temores e terrores, o que a caracteriza como nitidamente romântica, já que os sentimentos superam a sua capacidade lógica e analítica.
                  Vive em permanente desassossego, pânico, infelicidade (Pathos) e pelo imenso sentido do dever, o que inibe a possibilidade de se sentir feliz, mesmo por que a sua personalidade vulnerável e frágil, fá-la duvidar quanto à  existência do seu primeiro marido (dúvida alimentada pelas convicções de Telmo).
                  Sente-se eternamente culpada por ter amado Manuel de Sousa quando ainda se encontrava casada com D. João (Hybris), por isso é dominada pelo destino e pelo fatalismo, vivendo toda a sua vida receando o aparecimento do seu primeiro marido, e quando este aparece, disfarçado de Romeiro, não o reconhece.
                  È uma personagem que vive muito para si, dentro dos seus problemas pessoais e da sua família, não revelando outros interesses, o que transmite o ambiente social do início do séc. XVII.

 

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Características Clássicas da Tragédia e Características Românticas


Classificação

                  A peça Frei Luís de Sousa de Almeida Garrett é de classificação muito difícil, o que, aliás, não passou despercebido ao próprio autor, que também hesitou na maneira de classificar a sua obra. O facto explica-se precisamente por Garrett ter sido um autor que atravessou a época de transição entre o Classicismo e o Romantismo; sendo educado dentro dos princípios da grande tradição clássica, adoptou por escolha consciente, as doutrinas da estética romântica, especialmente depois da sua longa permanência em França e Inglaterra, países então na vanguarda do grande movimento literário e artístico do Romantismo.
                  O Frei Luís de Sousa apresenta, pois, características de drama (género eminentemente romântico, em que, por vezes, se mistura o trágico e o cómico, o riso e as lágrimas, numa tentativa de reconstituição da realidade contraditória da vida) e também, talvez essencialmente, de tragédia (género clássico por definição, criado pelos gregos); o talvez, pode até dispensar-se, visto que o próprio autor teve a noção do predomínio, na sua peça, das características trágicas. 

Romantismo


domingo, 5 de janeiro de 2014

Garrett - lírico

ESTE INFERNO DE AMAR!

Este inferno de amar - como eu amo!-
Quem mo pôs n'alma... quem foi?
Esta chama que alenta e consome,
Que é a vida - e que a vida destrói
Como é que se veio a atear,
Quando - ai quando se há de ela apagar?

Eu não sei, não me lembra: o passado,
A outra vida que dantes vivi
Era um sonho talvez... - foi um sonho -
Em que paz tão serena dormi!
Oh! que doce era aquele sonhar...
Quem me veio, ai de mim! despertar?

Só me lembra que um dia formoso
Eu passei... dava o Sol tanta luz!
E os meus olhos, que vagos giravam,
Em seus olhos ardentes os pus.
Que fez ela? eu que fiz? - Não no sei;
Mas nessa hora a viver comecei...


Almeida Garrett

Garrett - lírico

NÃO TE AMO

Não te amo, quero-te: o amar vem d'alma.
   E eu n'alma --- tenho a calma,
   A calma --- do jazigo.
   Ai! não te amo, não.

Não te amo, quero-te: o amor é vida.
   E a vida - nem sentida
   A trago eu já comigo.
   Ai, não te amo, não!

Ai! não te amo, não; e só te quero
   De um querer bruto e fero
   Que o sangue me devora,
   Não chega ao coração.

Não te amo. És bela; e eu não te amo, ó bela.
   Quem ama a aziaga estrela
   Que lhe luz na má hora
   Da sua perdição?

E quero-te, e não te amo, que é forçado,
   De mau feitiço azado
   Este indigno furor.
   Mas oh! não te amo, não.

E infame sou, porque te quero; e tanto
   Que de mim tenho espanto,
   De ti medo e terror...
   Mas amar!... não te amo, não.

                       Almeida Garrett

Garrett - lírico

Os cinco sentidos

São belas - bem o sei, essas estrelas,
Mil cores - divinais têm essas flores;
Mas eu não tenho, amor, olhos para elas:
Em toda a natureza
Não vejo outra beleza
Senão a ti - a ti!

Divina - ai! sim, será a voz que afina
Saudosa - na ramagem densa, umbrosa.
Será: mas eu do rouxinol que trina
Não oiço a melodia,
Nem sinto outra harmonia
Senão a ti - a ti!

Respira - n'aura que entre as flores gira,
Celeste - incenso de perfume agreste.
Sei... não sinto: a minha alma não aspira,
Não percebe, não toma
Senão o doce aroma
Que vem de ti - de ti!

Formosos - são os pomos saborosos,
É um mimo - de néctar o racimo:
E eu tenho fome e sede... sequiosos,
Famintos meus desejos
Estão... mas é de beijos
É só de ti - de ti!

Macia - deve a relva luzidia
Do leito - ser por certo em que me deito
Mas quem, ao pé de ti, quem poderia
Sentir outras carícias,
Tocar noutras delícias
Senão em ti - em ti!

A ti! ai, a ti só os meus sentidos,
Todos num confundidos,
Sentem, ouvem, respiram;
Em ti, por ti deliram.
Em ti a minha sorte,
A minha vida em ti;
E, quando venha a morte,
Será morrer por ti.

Almeida Garrett